[Resenha] O relógio e o violino - Márcio Leite


Olá queridos leitooores, tudo bem com vocês? Hoje eu vim trazer um livro que foi totalmente inusitado para mim, fora da minha zona de conforto, e que foi uma experiência fantástica. Em parceria com a Editora Penalux, hoje eu trago a resenha de "O relógio e o violino".

O relógio e o violino
Autor: Márcio Leite
País: Brasil
Editora: Penalux
Ano: 2017
Número de págs: 304
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Resumo

Gustavo é um rapaz que está em coma. Ele ainda consegue escutar, entender e raciocinar, consegue sentir os toques, porém não consegue mais controlar seu próprio corpo. Por mais que ele tente, seus olhos não se abrem, seus dedos não se movem, não consegue produzir sequer um resmungo. Ele não sabe onde está, em que cidade, o que aconteceu para que seu corpo estivesse tão comprometido, e por quanto tempo ele vai ficar assim. Os médicos chegam a afirmar que ele é um caso perdido.

Sem ter o que fazer, ele vai nos contando sobre a sua rotina, as visitas da família, sobre a rotina do hospital e a falta de sensibilidade dos profissionais, que o tratam como um objeto. Sobre como ele perdeu a esperança, e se encontrou angustiado por não conseguir sair dessa situação. Sobre como depois de perder as esperanças, ainda recebeu algumas surpresas. Enfim, sobre como uma pessoa estar em coma pode se sentir angustiada e presa em seu próprio corpo, sem comunicação com o mundo de fora.


"O relógio e o meu coração. Por vezes eu os confundo. Curioso... São como corpo e alma, retrato e movimento. O que os move? O que move os ponteiros, quero dizer. Possivelmente uma bateria. Por sorte deve ser uma bateria de vida longa. Mas talvez não seja bom assim. Talvez fosse melhor que não se movesse mais."

O que eu achei


Esse foi um livro que eu peguei sem saber o que esperar dele. Eu nunca cheguei a ler algo como um relato, especialmente de uma pessoa que está estática em uma cama hospitalar, mas que consegue ouvir e sentir tudo. Sem expectativas, peguei o livro e já nas primeiras páginas acabei me apaixonando.A forma como Márcio escreve é tão poética, tão bonita que todo aquele medo que eu estava sentindo em não conseguir gostar do livro se evaporou quase que por completo.

Gustavo é um personagem bastante pessimista na maior parte do tempo, porém é muito compreensivo. Acordar na completa escuridão e saber que a sua vida já é quase certa de não ter mais um futuro deixaria qualquer um em desespero e depressão. A única coisa que existe agora em sua rotina é ser tratado, cuidado, as visitas que a família faz e o incessante tique-taque do relógio. 


"Ser algo não é o mesmo que ser alguém - e eu não me lembro exatamente quando passei e uma condição a outra."

De sua esposa, que vem de uma relação que estava esfriando. De sua filha, que é pequena demais para entender de verdade o que aconteceu a ele, e por isso continua a lhe falar e contar sobre as coisinhas que acontecem em sua vida, na esperança de que ele possa lhe responder. Seu filho mais velho, que se mantém afastado, provavelmente ressentido por ter sido abandonado pelo pai. Também existe um enfermeiro que o trata como a um amigo, conversa com ele, assim como algumas outras pessoas que passaram pela sua vida.

Entre as diversas divagações que ele tem, o autor nos mostra que mesmo no estado em que se encontra, ele não é apenas um mero objeto, como muitos dos profissionais naquele hospital parecem achar. Ele tem raiva, xinga as pessoas, implora, fica feliz, chora, e sente muita falta, especialmente da música. Ele lamenta pelo seu violino de estimação, que aprendeu a amar, e que agora não consegue mais tocar ou escuta-lo.


"Sonhar é muito bom. Sonhos fazem parte da rotina dos desterrados. Dos que perderam o direito a uma vida de pulos e sacudidas. É terapia para os inválidos, os acamados, os condenados à imobilidade eterna. Além dos sonhos, os sons e, principalmente, os amores. Os que nos tocam e nos enfeitiçam, e nos fazem crer que, no fim de tudo, ainda pode haver solução."

Foi muito triste para mim ver o lado de uma pessoa enclausurada em seu próprio corpo. Fico pensando o quanto a pessoa ainda está viva, se nada consegue fazer. Ele ainda consegue encontrar seus momentos de paz em alguns momentos, mas a maior parte da sua "vida" agora para ele é um verdadeiro inferno. Nos trás a reflexão de que se uma pessoa acaba ficando nessa situação, é muito difícil pensar se deveríamos manter uma vida assim por tanto tempo, deixando-o sofrer.

A edição está muito linda. Diagramação espaçada e de fácil leitura, folhas amareladas, e fiquei apaixonara por essa capa de craft com a arte de um relógio e um violino juntos. O autor também já foi vencedor do Prêmio SESC e Prêmio Internacional da UBE/RJ.


"Morrer é uma dolorosa aula de desapego. É preciso deixar-se ir, sem piedade, sem resistências, sem consolo."

Ao longo do livro, acabei achando algumas passagens muito repetitivas, como os lamentos que ele tem em estar vivo para os médicos, mas considerar-se morto, ou sobre estar sendo tratado como um objeto pelos demais. Porém eu entendo, já que era para se mostrar como realmente foi aquele momento dele da vida, onde nada acontecia, e muitas vezes ele desejou a morte. Apesar disso, a forma como o autor é escreve é maravilhosa, e vale muito a experiência de ler uma proposta diferente de se falar sobre isso.




Nota:

Adquira: Loja da Penalux


Espero que tenham gostado. Se vocês já leram um livro assim, diferente ou fora da sua zona de conforto, vem comentar aqui o que você achou, como foi a experiência!

Até a próxima e tenham ótimas leituras!

Beijos,


18 comentários

  1. Oi Raquel, que capa linda desse livro né? Eu já li um livro com uma proposta parecida as vezes eu ficava angustiada pela forma que as pessoas agiam em relação ao paciente vendo-o somente como um peso morto e ao mesmo tempo a família não sabia como lidar com a situação tipo esperar ou seguir em frente e na outra ponta da historia o próprio paciente que esta vivo mas não tem controle do próprio corpo. Achei a resenha maravilhosa e como eu já disse adorei a capa também.
    BJO

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  2. Oi Raquel, também fiquei surpresa com a temática desse livro, é muito interessante como há assuntos de livros que nunca paramos parar pensar na vida e o quanto isso pode nos tornar insensíveis quando vemos outras pessoas passando por esse tipo de dificuldade. Muito bacana, você ter gostado de um livro que não está na sua área de conforto, também não é o tipo de livro que costumo ler, mas conhecer é muito bom!

    Um beijo da Yana,
    Marshmallow Com Café

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  3. O enredo parece ser bem pesado, gostaria de ler por ser uma história que provavelmente me emocionaria bastante, a narrativa parecer ser sensível e envolvente também.

    www.estante450.blogspot.com.br

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  4. Que obra bacana, fico imaginando quão desesperadora deva ser essa situação, estar sabendo de tudo mas nao consiguir se movimentar para nada, muito menos se comunicar. Me parece uma obra super forte, valeu pela dica!

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  5. Oii tudo bem ?
    Nossa a obra e bem forte
    Não conhecia mais fiquei bem intrigada em conhecer vou da uma procurada pra comprar.

    Bjs

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  6. Oi Raquel, que enredo maravilhoso, se tu gostou, te recomendo "Quando eu era invisível" é uma biografia, mas é bem parecida a história. O protagonista também está em um estado que todo mundo acha que ele não tem consciência. Adorei conhecer este livro, quero muito ler. Obrigada pela dica.
    Bjos
    Vivi
    http://duaslivreiras.blogspot.com/

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  7. Olá! Acho que eu não conseguiria me arriscar lendo esse livro sem saber mais sobre ele, como você fez. Não só por sair da minha zona de conforto, mas principalmente pode ser um livro de alguém que sofre tanto. Espero que, pelo menos, o final seja um pouco mais feliz para o personagem. Não sei se leria, por isso passo a dica por enquanto, mas amei sua resenha!
    Abraços

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  8. Acho que nunca vi nenhum livro com uma premissa dessa - de mostrar o lado da história de quem está nesse tipo de situação. A maior parte das vezes, a história é mostrada pelo lado da família - quem está "perdendo" alguém... Achei interessante! Vou procurar!

    Beijos
    Luisa
    www.degradeinvisivel.com.br

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  9. Oiii Raquel

    Parece ser uma leitura delicada e intensa, daquelas que deixam a gente bem emocionado. Não conhecia, mas gostei da premissa toda. {E sempre maravilhoso quando a gente pega um livro sem expectativas nenhuma e pouco a pouco vai se apaixonando.

    Beijos

    www.derepentenoultimolivro.com

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  10. Olá
    Que capa diferente, achei bem legal.
    E realmente é uma história diferente, já li alguns livros em que o personagem em como pensa , mas ler um livro todo assim, seria interessante.
    Mesmo com essas partes repetitivas, acho válida a leitura, e vou anotar a dica.
    Bjus

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  11. O visual do livro me pareceu bem bonito. Ainda não o conhecia mas pelas sua resenha já fiquei curiosa para ler. Me parece muito tocante a situação em que o protagonista se encontra.

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  12. Sem brincadeira, ao ler sua resenha lembrei de outro livro que tem a MESMA história. Só muda a paixão do personagem rs.. É o Inevitável do Joy Fielding. Chocada com essa semelhança rs

    Sai da Minha Lente

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  13. Olá!
    Eu não sei se seria um livro que pegaria para ler, mas essa edição com certeza está muito bem feita que compraria só para ter na estante. Que capa linda e a diagramação também chama atenção.
    Quem sabe mais pra frente dê uma oportunidade e conheça mais a fundo essa protagonista.
    Beijos!

    Camila de Moraes

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  14. Oi, Raquel!
    Eu ainda não conhecia o livro e adorei poder conhecer aqui na sua resenha, achei a capa linda e fiquei bem curiosa com a leitura. Gostei muito de ver a sua opinião e espero poder ler em breve.

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  15. Oi, Raquel! Que diferente a temática desse livro. Fiquei muito curiosa para saber como o narrador/personagem passa todo o drama da sua vida presso num corpo que já não lhe tem serventia. Deve ser desesperador e solitário.
    Vou anotar a dica. Gostei mesmo.

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  16. Oi, tudo bem?
    Eu ainda não conhecia esse livro, mas achei a premissa muito interessante. Nunca vi uma história parecida, que traz para o leitor o ponto de vista de uma pessoa em coma. É, sem dúvida, muito original e acredito que seja um livro que faça o leitor refletir sobre o que sentem pessoas que passam por uma situação como esta.
    No entanto, não sei se leria, pois acredito que seja uma leitura muito angustiante.
    De qualquer forma, adorei a resenha e que, mesmo sendo um livro que te tirou da sua zona de conforto, você gostou da leitura.
    Beijos!

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  17. Eu já li um livro que a personagem também tinha consciência de tudo que acontecia a sua volta, e realmente é uma coisa angustiante de acompanhar. Fiquei interessada em ler essa obra, acho que vou gostar também!
    beijos

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  18. Olá Raquel, eu não conhecia ao livro, mas fiquei curiosa para lê-lo, ainda não tive a chance de ler nenhum livro com essa perspectiva de uma pessoa em coma e achei bem interessante, enfim espero ter a chance de lê-lo em breve.

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