[Resenha] A Origem Perdida - Paulo André



Olá queridos, como estão?

Hoje a resenha é desse livro super amorzinho que a editora Penalux mandou pra gente resenhar. O Paulo André escreveu ótimos poemas que compõem este livro e vou contar o que achei dessa leitura.

Sinopse


As palavras de Paulo André são abruptas e cortantes como a faca, retiradas das densas camadas da alma, lugar onde repousam os medos, as angústias, o mais profundo e isolado da essência, “seus versos são como a faca”.

Este sagrado intocável, representando o próprio espírito humano, está tão intimamente conectado a quem se é, ao que se sente, que, frente a exterioridade da aparência física, refletida no espelho, separa-se por milhas de distância em relação as coisas tangíveis e observáveis, por esta razão, aquilo que se guarda na densidade da alma, os sentimentos de contradição como o medo, os receios, ficam feito ilhas rondados pelos mares impassíveis do mundo exterior.

Quando o poeta desenha a imagem deste espelho impassível, refletor, e distante da essência do eu-lírico, o faz situando objeto e pessoa no espaço de uma casa de memórias, este local ressuscitado em vários versos de diferente poemas, é o palco das lembranças da infância, estas que também são mantidas nas gavetas da alma, deste modo, o rememorar por meio dos versos,  com falas de menino, é em partes um fazer poético torturante a medida que remexe nas memórias.

Este espelho apontado pelo autor separa o eu-lírico em dois, o homem em estado de emoções puras e o homem dos comedimentos da aparência, de maneira que este último não pode alcançar a complexidade dos sentimentos, ficando o ser fragmentado em dois, como dito no poema “Amanhã Vamos Partir”, de um lado aquele homem que anda em linha reta seguindo a cotidiano,  do outro, aquele que mergulha em si mesmo, para assim criar a poesia.  


Não sei vocês mas eu sempre tenho a sensação de não saber ler poema por não conseguir me conectar tanto com o livro quanto numa fantasia por exemplo. Mas este foi o primeiro livro que eu li, cujo o autor admite não saber ser poeta e acho que ai tivemos uma conexão haha.

O livro começa com um prefácil escrito por Idmar Boaventura onde nos conta um pouco sobre o autor e suas aventuras por entre o mundo da poesia e o não saber ser poeta. É uma parte bem interessante que eu acredito ser característica dos livros da Penalux (pois já é o segundo que pego com um prefácil maravilhoso).



O livro é composto por 64 poemas que tratam de diversos temas: questionamentos, amor, lembranças, reflexões de forma bem particular. O autor trás bastante melancolia em seus poemas o que é perceptível desde o primeiro poema.

Uma coisa que é bem característico é o jogo com as palavras que conectam cada verso, trazendo sonoridades parecidas e que combinam com a sensação do texto. Confesso que poemas assim pra mim são mais fáceis de ler mas não consigo evitar em tentar entender como o autor conseguiu achar tantas palavras que tivessem sonoridade parecida e ainda fazer sentido no verso.



Os poemas que mais gostei foram :

POEMA - É um dos primeiros e gostei muito da profundidade que o autor trouxe nas palavras e nas afirmações que fez: "Meus versos são feitos a faca."

FESTA - Esse poema me lembrou a infância. Nos versos a festa é das tanajuras que voam após a chuva. E gente, eu amava fica na rua pegando as coitadas haha.. Então foi bem nostálgico ler esse poema.

AMANHÃ VAMOS PARTIR - Este foi um poema feito para um poeta chamado Georgio Rios. Senti que neste o autor trouxe a tona o sentimento de saudade, amizade e nostalgia. Nos versos, dois amigos partindo por caminhos e para destinos diferentes. Foi como visualizar uma despedida entre amigos.



O CONVITE - Um pouco de amor nunca faz mal, e é o pano de fundo que percebi neste poema. A bela lha faz um convite para deixar tudo e ir com ela. 

OUTONO - Desde criança minha estação favorita é o outono, antes por causa das frutas, hoje junto um aglomerado de motivos haha.. No livro tem este poema falando aos olhos do autor o que é outono.

TEMPO - Neste poema, Paulo trás muitas referencias a um passado geral e pessoal, onde o acústico do Pearl Jam e ofensas da própria família se mesclam no poema e contam uma história.



Esta seleção de poemas do Paulo Andre achei bem bacana pois os poemas não tratam de um mesmo tema, como deu pra reparar a cima, então não fica parecendo que estou lendo mais do mesmo. Em cada poema ele trouxe uma característica diferente dos anteriores, então foi bem empolgante virar a pagina e não saber o que esperar de fato do próximo poema.

Eu gostei muito da escrita do autor, através de versos melancólicos e uma escrita onde a sonoridade se fez importante eu senti que os versos feito a faca na verdade simbolizam todo o cuidado e dedicação que teve com cada um deles. 

E nada melhor que combinar todo esse conteúdo numa edição primorosa, as paginas são amareladas e o papel bem grossinho e poroso, a capa tem cores que combinam com o conteúdo e os detalhes que a editora trouxe nas paginas são super caprichados.



A leitura foi bem tranquila, apesar de toda a sensação de não saber se estava interpretando tudo certo. É um livro bem curtinho e rápido de ler pois alguns poemas são compostos só por algumas linhas, mas não tira a beleza da obra de forma alguma.

Recomendo a leitura de "A Origem Perdida" para os leitores que gostam da arte da poesia e aos que gostariam de se aventurar nos versos de um poeta que não sabe ser poeta mas que trás muito em seus versos.

Nota: 
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E é isso queridos, espero que tenham gostado da resenha, me contem se gostam de ler poemas e se leriam este livro!

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Um até logo e beijos de luz!

2 comentários

  1. Também sinto que não sei ler poemas porque algumas vezes não me conecto com eles. No entanto, depois de ler meu primeiro livro pela autora Adélia Prado eu fui mudando sobre isso e me encantando com as palavras dos poetas, além de conhecer o mundo deles. Geralmente poesia me faz bem! Eu não conhecia o autor, mas o livro é a minha cara.

    Beijos da Yana,
    Marshmallow Com Café


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